Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2018;94:200-6 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.08.016
Artigo original
Stillbirth prevalence in Brazil: an exploration of regional differences
Prevalência de natimortos no Brasil: investigação de diferenças regionais
Taiana Silva Carvalhoa,, , Lucia Campos Pellandaa, Pat Doyleb
a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Porto Alegre, RS, Brasil
b London School of Hygiene and Tropical Medicine, Londres, Reino Unido
Recebido 16 Novembro 2016, Aceitaram 12 Abril 2017
Resumo
Objetivo

O Brasil é um país grande, heterogêneo e diverso, marcado por desigualdades sociais, econômicas e regionais. A natimortalidade é uma preocupação global, principalmente em países de renda baixa e média. Este estudo investigou a prevalência e os possíveis determinantes da natimortalidade em diferentes regiões do Brasil.

Métodos

Estudo transversal que incluiu todas as mulheres em idade reprodutiva que estiveram grávidas nos últimos cinco anos registradas na Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS‐2006/07). A regressão logística foi usada para avaliar a relação entre região e outras características maternas e risco de natimortalidade.

Resultados

A prevalência de natimortos no Brasil foi de 14,82 a cada 1.000 nascimentos, com grande variação de acordo com a região do país e uma prevalência mais alta entre as mais precárias. As regiões Norte e Nordeste tiveram as taxas de natimortalidade mais altas em comparação com a região Centro‐Oeste, que perdurou após o ajuste das diversas variáveis de confusão – inclusive nível de pobreza e etnia. A baixa idade e a obesidade maternas também estavam relacionadas a taxas de natimortalidade mais elevadas.

Conclusão

No Brasil, a região influencia o risco de natimortalidade, com riscos muito mais altos no Norte e no Nordeste. A variação no nível de pobreza não explica esse achado. Futuras pesquisas sobre o assunto devem explorar outras possíveis explicações, como cuidado pré‐natal e tipo de parto, bem como o papel dos sistemas de saúde público e privado com relação à natimortalidade. As estratégias de prevenção devem ser direcionadas a essas regiões historicamente desfavorecidas, como garantir acesso e qualidade da assistência durante a gravidez e perto do momento do nascimento.

Abstract
Objective

Brazil is a large, heterogeneous, and diverse country, marked by social, economic, and regional inequalities. Stillbirth is a global concern, especially in low‐ and middle‐income countries. This study investigated the prevalence and possible determinants of stillbirth in different regions of Brazil.

Methods

This is a cross‐sectional study including all women of reproductive age who had had a pregnancy in the last five years, enrolled in the most recent Brazilian Demographic and Health Survey (DHS/PNDS‐2006/07). Logistic regression was used to assess the association between region and other maternal characteristics and stillbirth risk.

Results

The prevalence of stillbirth in Brazil was 14.82 per 1000 births, with great variation by region of the country, and a higher prevalence among the most deprived. The North and Northeast regions had the highest odds of stillbirth compared to the Center‐West, which persisted after adjustment for multiple confounders – including deprivation level and ethnicity. Low maternal age and maternal obesity were also related to higher odds of stillbirth.

Conclusion

In Brazil, the region influences stillbirth risk, with much higher risk in the North and Northeast. Variation in socioeconomic level does not explain this finding. Further research on the subject should explore other possible explanations, such as antenatal care and type of delivery, as well as the role of the private and public health systems in determining stillbirth. Preventive strategies should be directed to these historically disadvantaged regions, such as guaranteeing access and quality of care during pregnancy and around the time of birth.

Keywords
Stillbirth, Region, Brazil, Deprivation, Risk, Quality of health care
Palavras‐chave
Natimorto, Região, Brasil, Pobreza, Risco, Qualidade de serviços de saúde
J Pediatr (Rio J)2018;94:200-6 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.08.016