Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2017;93:398-405 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.04.005
Artigo Original
Spirometry and volumetric capnography in lung function assessment of obese and normal‐weight individuals without asthma
Espirometria e capnografia volumétrica na avaliação da função pulmonar de indivíduos obesos e eutróficos sem asma
Mariana S. Ferreiraa,, , Roberto T. Mendesa, Fernando A.L. Marsona,b, Mariana P. Zambona, Maria A.R.G.M. Antonioa, Ilma A. Paschoalc, Adyléia A.D.C. Toroa, Silvana D. Severinoa, Maria A.G.O. Ribeiroa, José D. Ribeiroa
a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Pediatria, Campinas, SP, Brasil
b Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Genética Médica, Campinas, SP, Brasil
c Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Clínica Médica, Campinas, SP, Brasil
Recebido 22 Junho 2016, Aceitaram 03 Outubro 2016
Resumo
Objetivo

Analisar e comparar a função pulmonar de crianças e adolescentes obesos e eutróficos saudáveis, sem asma, pela espirometria e capnografia volumétrica.

Métodos

Estudo transversal com 77 indivíduos (38 obesos) entre cinco e 17 anos. Todos fizeram espirometria e capnografia volumétrica. Os obesos repetiram as avaliações após o uso de broncodilatador.

Resultados

Na avaliação da espirometria, os indivíduos obesos, quando comparados com o grupo controle, apresentaram menores valores no volume expiratório forçado no primeiro segundo pela capacidade vital forçada (VEF1/CVF) e nos fluxos expiratórios a 75% da CVF e entre 25‐75% da mesma (p<0,05). A capnografia volumétrica demonstrou que os obesos apresentam maior volume produzido de dióxido de carbono e volume corrente alveolar (p<0,05). Além disso, a relação entre o volume espaço morto e volume corrente, bem como o slope da fase 3 normalizado pelo volume corrente, foi menor nos indivíduos saudáveis (p<0,05). Esses dados sugerem que a obesidade não altera a homogeneidade da ventilação, mas sim dos fluxos. Ao subdividir os grupos por idade, foi observada maior diferença na função pulmonar entre indivíduos obesos e saudáveis na faixa acima de 11 anos (p<0,05).

Conclusão

Mesmo sem o diagnóstico de asma por critérios clínicos e sem resposta ao uso de broncodilatador, os indivíduos obesos apresentaram menores valores no VEF1/CVF e nos fluxos expiratórios forçados, o que indica a presença de processo obstrutivo. A capnografia volumétrica indicou nos indivíduos obesos maior volume corrente alveolar, sem alterações na homogeneidade da ventilação, o que sugere alteração nos fluxos, sem comprometimento dos volumes pulmonares.

Abstract
Objective

To analyze and compare lung function of obese and healthy, normal‐weight children and adolescents, without asthma, through spirometry and volumetric capnography.

Methods

Cross‐sectional study including 77 subjects (38 obese) aged 5–17 years. All subjects underwent spirometry and volumetric capnography. The evaluations were repeated in obese subjects after the use of a bronchodilator.

Results

At the spirometry assessment, obese individuals, when compared with the control group, showed lower values of forced expiratory volume in the first second by forced vital capacity (FEV1/FVC) and expiratory flows at 75% and between 25 and 75% of the FVC (p<0.05). Volumetric capnography showed that obese individuals had a higher volume of produced carbon dioxide and alveolar tidal volume (p<0.05). Additionally, the associations between dead space volume and tidal volume, as well as phase‐3 slope normalized by tidal volume, were lower in healthy subjects (p<0.05). These data suggest that obesity does not alter ventilation homogeneity, but flow homogeneity. After subdividing the groups by age, a greater difference in lung function was observed in obese and healthy individuals aged >11 years (p<0.05).

Conclusion

Even without the diagnosis of asthma by clinical criteria and without response to bronchodilator use, obese individuals showed lower FEV1/FVC values and forced expiratory flow, indicating the presence of an obstructive process. Volumetric capnography showed that obese individuals had higher alveolar tidal volume, with no alterations in ventilation homogeneity, suggesting flow alterations, without affecting lung volumes.

Keywords
Capnography, Spirometry, Obesity
Palavras‐chave
Capnografia, Espirometria, Obesidade
J Pediatr (Rio J)2017;93:398-405 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.04.005