Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2017;93:281-6 DOI: 10.1016/j.jpedp.2016.09.001
Artigo Original
Risk of recurrence after a first unprovoked seizure in children
Risco de recorrência após uma primeira crise epilética não provocada em idade pediátrica
Catarina Maiaa,, , Ana Raquel Moreirab, Tânia Lopesb, Cecília Martinsb
a Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Serviço de Pediatria, Vila Nova de Gaia, Portugal
b Centro Hospitalar do Médio Ave, Serviço de Pediatria, Famalicão, Portugal
Recebido 17 Abril 2016, Aceitaram 11 Julho 2016
Resumo
Objetivos

Este trabalho teve como objetivos estudar o primeiro episódio de crise epilética não provocada em idade pediátrica e avaliar os fatores de risco de recorrência.

Métodos

Estudo observacional retrospectivo, baseado na análise dos processos clínicos dos pacientes internados entre 2003 e 2014, num serviço de pediatria de um hospital de nível 2, com primeira crise epilética. Os dados foram trabalhados com o programa SPSS Statistics 20.0.

Resultados

Dos 103 pacientes, 52,4% eram meninos. A mediana da idade da primeira crise foi de 59 (um‐211) meses. Fizeram eletroencefalograma no primeiro episódio 93% das crianças e 47% neuroimagem. O tratamento com fármaco antiepilético foi instituído em 46% dos pacientes. A taxa de recorrência foi 38% e, desses, 80% tiveram a segunda crise nos seis meses seguintes após o primeiro evento. Dos fatores de risco estudados verificou‐se uma relação estatisticamente significativa entre a crise durante o sono e a recorrência (p=0,004), assim como entre as crises de etiologia sintomática remota e a ocorrência de novas crises (p=0,02). A presença de anormalidades no eletroencefalograma também esteve associada à ocorrência de novas crises (p=0,021). Não se encontrou relação entre idade, duração da crise e história familiar de epilepsia com risco aumentado de recorrência.

Conclusões

A maioria das crianças com uma primeira crise epilética não provocada não teve recorrências. O risco de recorrência foi superior nos pacientes com crise durante o sono ou crise sintomática remota e naqueles com eletroencefalograma alterado.

Abstract
Objectives

This study aimed to evaluate the first episode of unprovoked epileptic seizure in children and assess recurrence risk factors.

Methods

This was a retrospective observational study, based on the analysis of medical records of patients admitted between 2003 and 2014, with first epileptic seizure, at the pediatric service of a secondary hospital. The data were analyzed using the SPSS 20.0 program.

Results

Of the 103 patients, 52.4% were boys. The median age at the first seizure was 59 (1‐211) months. About 93% of children were submitted to an electroencephalogram (EEG) at the first episode and 47% underwent neuroimaging assessment. Treatment with an antiepileptic drug was started in 46% of patients. The recurrence rate was 38% and of these, 80% had the second seizure within six months after the first event. Of the assessed risk factors, there was a statistically significant association between seizure during sleep and recurrence (p=0.004), and between remote symptomatic etiology seizure and occurrence of new seizure (p=0.02). The presence of EEG abnormalities was also associated with the occurrence of new seizures (p=0.021). No association was found between age, duration of the seizure, and family history of epilepsy with increased risk of recurrence.

Conclusions

Most children with a first unprovoked epileptic seizure had no recurrences. The risk of recurrence was higher in patients with seizure occurring during sleep or remote symptomatic ones and those with abnormal EEG results.

Keywords
Seizures, First unprovoked seizure, Recurrence, Child
Palavras‐chave
Convulsão, Primeira crise não provocada, Recorrência, Criança
J Pediatr (Rio J)2017;93:281-6 DOI: 10.1016/j.jpedp.2016.09.001