Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2017;93:475-81 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.07.003
Artigo Original
Influence of maternity leave on exclusive breastfeeding
Influência da licença‐maternidade sobre a amamentação exclusiva
Fernanda R. Monteiroa,, , Gabriela dos S. Buccinib, Sônia I. Venâncioc, Teresa H.M. da Costad
a Universidade de Brasília (UnB), Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós‐Graduação em Ciências da Saúde, Brasília, DF, Brasil
b Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Saúde Pública, Departamento de Nutrição, São Paulo, SP, Brasil
c Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Instituto de Saúde, São Paulo, SP, Brasil
d Universidade de Brasília (UnB), Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Nutrição, Brasília, DF, Brasil
Recebido 25 Julho 2016, Aceitaram 10 Novembro 2016
Resumo
Objetivos

Descrever perfil das mulheres com filhos menores de quatro meses residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal segundo situação de trabalho e analisar a influência da licença‐maternidade sobre o aleitamento materno exclusivo entre as mulheres trabalhadoras.

Métodos

Estudo transversal com dados extraídos da II Pesquisa Nacional de Prevalência do Aleitamento Materno feita em 2008. Inicialmente foi feita análise descritiva do perfil das 12.794 mulheres participantes do estudo segundo situação de trabalho e de licença‐maternidade, bem como a frequência de licença‐maternidade nas regiões brasileiras e capitais. Em seguida, para identificar a influência da licença‐maternidade na interrupção do AME, fez‐se modelo múltiplo, no qual foram incluídas 3.766 mulheres que declararam trabalhar e estar em licença‐maternidade no momento da entrevista. O desfecho adotado no estudo foi a interrupção do AME, classificado de acordo com a definição da OMS.

Resultados

Em relação à situação de trabalho, 63,4% das mães entrevistadas no Brasil não trabalhavam fora do lar e dentre as que trabalhavam fora 69,8% usufruíam da licença‐maternidade. Verificou‐se maior concentração de mulheres que trabalhavam fora entre aquelas com mais de 35 anos, mais de 12 anos de escolaridade, primíparas, das regiões Sudeste e Sul. Não estar em licença‐maternidade aumentou em 23% a chance de interrupção do AME.

Conclusão

Constatou‐se que a licença‐maternidade contribuiu para aumentar a prevalência do AME nas capitais brasileiras, reforça a importância da ampliação da licença‐maternidade para seis meses.

Abstract
Objectives

To describe the profile of women with children aged under 4 months living in the Brazilian state capitals and in the Federal District according to their working status and to analyze the influence of maternity leave on exclusive breastfeeding (EBF) among working women.

Methods

This was a cross‐sectional study with data extracted from the II National Maternal Breastfeeding Prevalence Survey carried out in 2008. Initially, a descriptive analysis of the profile of 12,794 women was performed, according to their working status and maternity leave and the frequency of maternity leave in the Brazilian regions and capitals. The study used a multiple model to identify the influence of maternity leave on EBF interruption, including 3766 women who declared they were working and were on maternity leave at the time of the interview. The outcome assessed in the study was the interruption of the EBF, classified by the WHO.

Results

Regarding the working status of the mothers, 63.4% did not work outside of their homes and among those who worked, 69.8% were on maternity leave. The largest prevalence among workers was of women older than 35 years of age, with more than 12 years of schooling, primiparous and from the Southeast and South regions. The lack of maternity leave increased by 23% the chance of EBF interruption.

Conclusion

Maternity leave contributed to increase the prevalence of EBF in the Brazilian states capitals, supporting the importance of increasing the maternity leave period from four to six months.

Keywords
Exclusive breastfeeding, Maternity leave, Women and work
Palavras‐chave
Aleitamento materno exclusivo, Licença‐maternidade, Mulher e trabalho
J Pediatr (Rio J)2017;93:475-81 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.07.003