Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2017;93:287-93 DOI: 10.1016/j.jpedp.2016.12.003
Artigo original
Hospitalizations of children with sickle cell disease in the Brazilian Unified Health System in the state of Minas Gerais
Internações de crianças com doença falciforme no Sistema Único de Saúde no Estado de Minas Gerais
Ana Paula P.C. Fernandesa, Fernanda A. Avendanhaa, Marcos B. Vianaa,b,,
a Universidade Federal Minas Gerais (UFMG), Faculdade de Medicina, Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), Belo Horizonte, MG, Brasil
b Universidade Federal Minas Gerais (UFMG), Departamento de Pediatria, Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido 04 Abril 2016, Aceitaram 27 Julho 2016
Resumo
Objetivo

Identificar e caracterizar as internações e reinternações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de crianças com doença falciforme, diagnosticadas pelo Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais entre 1999 e 2012.

Métodos

Extraíram‐se do banco de dados do SUS as Autorizações de Internação Hospitalar com o código D57 (Classificação Internacional de Doenças10) nos campos de diagnóstico primário ou secundário (1999‐2012). Identificaram‐se 969 crianças, total de 2.991 internações.

Resultados

Das crianças, 73,2% tinham hemoglobina SS/Sβ0‐ talassemia e 48% eram meninas. A média foi de 4,3±3,2 anos, a do número de internações, 3,1±3,3 e a do tempo de permanência, 5±3,9 dias. As readmissões hospitalares ocorreram em 16,7% das crianças; 10% das internações se associaram à readmissão em até 30 dias pós‐alta; 33% das readmissões ocorreram em até 7 dias pós‐alta. Ocorreram 41 óbitos, 95% em ambiente hospitalar. O diagnóstico secundário não foi registrado em 96% das internações, impossibilitou conhecer o motivo da internação. Em 62% dos casos, as internações ocorreram no município de residência da criança. O total de internações de crianças até 14 anos com doença falciforme em relação ao total das internações pediátricas passou de 0,12% em 1999 para 0,37% em 2012.

Conclusões

Constatou‐se elevada demanda por cuidados hospitalares, cujo aumento relativo entre 1999 e 2012 sugere incremento da “visibilidade” da doença falciforme. O conhecimento das características dessas internações pode contribuir para o planejamento do cuidado na rede assistencial do SUS.

Abstract
Objective

To identify and characterize hospital admissions and readmissions in the Brazilian Unified Public Health System (Sistema Único de Saúde [SUS]) in children with sickle‐cell disease diagnosed by the Minas Gerais Newborn Screening Program between 1999 and 2012.

Methods

Hospital Admission Authorizations with the D57 (International Classification of Diseases‐10) code in the fields of primary or secondary diagnosis were retrieved from the SUS Databank (1999–2012). There were 2991 hospitalizations for 969 children.

Results

73.2% of children had hemoglobin SS/Sβ0‐thalassemia and 48% were girls. The mean age was 4.3±3.2 years, the mean number of hospitalizations, 3.1±3.3, and the hospital length of stay, 5±3.9 days. Hospital readmissions occurred for 16.7% of children; 10% of admissions were associated with readmission within 30 days after discharge; 33% of readmissions occurred within seven days post‐discharge. There were 41 deaths, 95% of which were in‐hospital. Secondary diagnoses were not recorded in 96% of admissions, making it impossible to know the reason for admission. In 62% of cases, hospitalizations occurred in the child's county of residence. The total number of hospitalizations of children under 14 with sickle‐cell disease relative to the total of pediatric hospitalizations increased from 0.12% in 1999 to 0.37% in 2012.

Conclusions

A high demand for hospital care in children with sickle‐cell disease was evident. The number of hospitalizations increased from 1999 to 2012, suggesting that the disease has become more “visible”. Knowledge of the characteristics of these admissions can help in the planning of care for these children in the SUS.

Keywords
Sickle cell disease, Hospital Admitting Department, Epidemiology, Health system, Newborn screening, Brazil
Palavras‐chave
Doença falciforme, Serviço Hospitalar de Admissão de Pacientes, Epidemiologia, Sistema Único de Saúde, Triagem neonatal, Brasil
J Pediatr (Rio J)2017;93:287-93 DOI: 10.1016/j.jpedp.2016.12.003