Jornal de Pediatria Jornal de Pediatria
J Pediatr (Rio J)2017;93:508-16 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.06.004
Artigo Original
Age at introduction of ultra‐processed food among preschool children attending day‐care centers
Idade de introdução de alimentos ultraprocessados entre pré‐escolares frequentadores de centros de educação infantil
Giovana Longo‐Silvaa,, , Jonas Augusto C. Silveiraa, Rísia Cristina Egito de Menezesa, Maysa Helena de Aguiar Tolonib
a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Faculdade de Nutrição (Fanut), Programa de Pós‐Graduação em Nutrição, Maceió, AL, Brasil
b Universidade Federal de Lavras (Ufla), Departamento de Nutrição, Lavras, MG, Brasil
Recebido 31 Agosto 2016, Aceitaram 23 Novembro 2016
Resumo
Objetivo

Identificar a idade e os fatores associados com a introdução de alimentos ultraprocessados (AUP) na alimentação de pré‐escolares.

Métodos

Estudo transversal feito entre março e julho/2014 com 359 pré‐escolares de 17 a 63 meses matriculados em centros de educação infantil. O tempo até a introdução dos AUP (variável de desfecho) foi descrito por meio do estimador de Kaplan‐Meiere, o teste log‐rank usado para comparar as funções de sobrevida das variáveis independentes. Por fim, analisaram‐se os fatores associados à introdução de AUP por meio de modelo múltiplo de riscos proporcionais de Cox. Os resultados foram apresentados como hazard ratios com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (HR [IC95%]).

Resultados

A mediana de introdução de AUP foi de seis meses. Entre o terceiro e o sexto mês houve um incremento importante na probabilidade de introduzir AUP na alimentação das crianças; enquanto a probabilidade no terceiro mês varia entre 0,15 e 0,25, no sexto mês a variação ocorre de 0,6 e 1,0. No modelo final de riscos proporcionais de Cox identificamos que gravidez não desejada (1,32 [1,05‐1,65]), não feitura do pré‐natal (2,50 [1,02‐6,16]) e renda ≥ dois salários mínimos (1,50 [1,09‐2,06]) se apresentaram como riscos independentes para a introdução de AUP.

Conclusão

Identificamos que até o sexto mês de vida aproximadamente 75% dos pré‐escolares já haviam recebido um ou mais AUP em sua alimentação. Além disso, observamos que as famílias mais pobres, bem como fatores pré‐natais desfavoráveis, se associaram com a introdução precoce de AUP.

Abstract
Objective

To identify the age of introduction of ultra‐processed food (UPF) and its associated factors among preschool children.

Methods

Cross‐sectional study carried out from March to June 2014 with 359 preschool children aged 17 to 63 months attending day‐care centers. Time until UPF introduction (outcome variable) was described by the Kaplan–Meier analysis, and the log‐rank test was used to compare the survival functions of independent variables. Factors associated with UPF introduction were investigated using the multivariate Cox proportional hazards model. The results were shown as hazard ratios with their respective 95% confidence intervals (HR [95%CI]).

Results

The median time until UPF introduction was six months. Between the 3rd and 6th months, there is a significant increase in the probability of introducing UPF in the children's diet; and while the probability in the 3rd month varies from 0.15 to 0.25, at six months the variation ranges from 0.6 to 1.0. The final model of Cox proportional hazards showed that unplanned pregnancy (1.32 [1.05–1.65]), absence of prenatal care (2.50 [1.02–6.16]), and income >2 minimum wages (1, 50 [1.09–2.06]) were independent risk factors for the introduction of UPF.

Conclusion

Up to the 6th month of life, approximately 75% of preschool children had received one or more UPF in their diet. In addition, it was observed that the poorest families, as well as unfavorable prenatal factors, were associated with early introduction of UPF.

Keywords
Preschool child, Overweight, Obesity, Supplementary feeding, Industrialized foods, Child nutrition
Palavras‐chave
Pré‐escolar, Sobrepeso, Obesidade, Alimentação complementar, Alimentos industrializados, Nutrição da criança
J Pediatr (Rio J)2017;93:508-16 DOI: 10.1016/j.jpedp.2017.06.004